Uveíte: entenda a inflamação ocular que pode causar perda de visão

Olhos vermelhos, dor ocular, sensibilidade à luz e visão embaçada: esses sintomas são comuns em casos de conjuntivite, mas também podem estar ligados a uma condição menos conhecida e muito mais perigosa, chamada uveíte.

Apesar de pouco falada, a uveíte é uma doença oftalmológica importante e que, quando não tratada, pode levar à perda progressiva da visão. Por isso, identificar os sinais e buscar diagnóstico médico o quanto antes é fundamental para preservar a saúde ocular.

O que é a uveíte?

A uveíte é uma inflamação da úvea, camada média do globo ocular composta por três partes:

  • Íris: a parte colorida do olho; 
  • Corpo ciliar: estrutura que ajuda na produção de líquidos intraoculares e na acomodação do cristalino;
  • Coroide: responsável por irrigar com sangue as estruturas internas do olho, especialmente a retina.

Essa inflamação pode afetar um ou os dois olhos, e o quadro clínico pode variar bastante, dependendo da causa e do tipo de uveíte.

Quais são os tipos de uveíte?

A classificação da uveíte se baseia na localização da inflamação. Os tipos incluem:

  • Uveíte anterior: a mais comum, afeta a parte da frente do olho, especialmente a íris. Os sintomas costumam aparecer de forma súbita e podem durar semanas. Em alguns casos, pode se tornar crônica. 
  • Uveíte intermediária: atinge principalmente o corpo ciliar. Pode ser recorrente e durar meses ou até anos. 
  • Uveíte posterior: envolve a coroide e, muitas vezes, a retina. É menos comum, porém mais grave, com risco elevado de complicações visuais. 
  • Panuveíte: tipo mais severo, em que todas as partes da úvea estão inflamadas ao mesmo tempo.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais comuns da uveíte incluem:

  • Olhos vermelhos; 
  • Dor nos olhos (que pode ser leve ou intensa);
  • Visão embaçada;
  • Sensibilidade à luz (fotofobia); 
  • Sensação de “moscas volantes” (manchas ou pontos que se movem no campo de visão).

Esses sinais podem ser confundidos com conjuntivite ou outras doenças oculares mais leves, o que leva muitas pessoas a se automedicarem e atrasarem o diagnóstico correto.

O que pode causar a uveíte?

A uveíte pode ter diversas causas. Em muitos casos, está relacionada a infecções ou doenças autoimunes. As causas mais frequentes incluem:

  • Infecções: toxoplasmose, herpes, tuberculose, sífilis, citomegalovírus, HIV/Aids; 
  • Doenças autoimunes: artrite reumatoide, lúpus, sarcoidose, espondilite anquilosante, síndrome de Behçet, entre outras; 
  • Traumas oculares; 
  • Causas idiopáticas: quando a origem não é identificada.

Por ser uma doença com diversas possíveis origens, é comum que o oftalmologista solicite exames laboratoriais e, em alguns casos, o apoio de um reumatologista ou infectologista para o diagnóstico preciso.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da uveíte é feito por um médico oftalmologista, por meio de exame clínico detalhado, com apoio de exames como:

  • Biomicroscopia (lâmpada de fenda); 
  • Fundoscopia (avaliação do fundo do olho); 
  • Tomografia de coerência óptica (OCT);
  • Exames de sangue e imagem, para investigar a causa subjacente.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de tratar a inflamação e evitar complicações como catarata, glaucoma secundário, descolamento de retina e até cegueira.

Existe tratamento?

Sim, a uveíte tem tratamento e pode ser curada ou controlada, especialmente quando identificada precocemente. O tratamento depende da causa:

  • Medicamentos anti-inflamatórios (geralmente colírios à base de corticoides); 
  • Antibióticos ou antivirais, se a origem for infecciosa; 
  • Imunossupressores, em casos de doenças autoimunes; 
  • Cirurgias oculares, nos casos mais graves ou com complicações estruturais.

É fundamental que o tratamento seja feito sob supervisão médica. A automedicação, principalmente com colírios sem prescrição, pode agravar o quadro e mascarar os sintomas.

Qual é a importância da prevenção?

Como a uveíte está frequentemente associada a outras doenças, a melhor forma de prevenir a inflamação ocular é manter a saúde geral em dia, tratar infecções corretamente, e estar atento a doenças crônicas ou autoimunes.

Além disso, a prevenção também passa pelo acesso regular a exames oftalmológicos. Mesmo quem não usa óculos ou lentes deve visitar o oftalmologista pelo menos uma vez por ano. Isso vale especialmente para pessoas com histórico de doenças infecciosas ou inflamatórias.

A uveíte pode ser silenciosa no início, mas evoluir rapidamente e causar danos permanentes à visão. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar atendimento oftalmológico é essencial para garantir o tratamento adequado e proteger a saúde dos olhos.

Se você sentir dores nos olhos, vermelhidão persistente ou alterações na visão, não espere. Procure seu oftalmologista e faça os exames necessários. Cuidar da sua visão é um investimento para a vida toda.

Consulte um oftalmologista.

Referência Bibliográfica: UVEÍTE: como identificar a doença que pode causar a perda da visão. [S. l.], 2022. Disponível em: https://visaoemfoco.org.br/uploads/arquivos/1663783572-5.PDF. Acesso em: 23 jul. 2025.

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